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Uma família curadora

A Família Abadie composta por Camila e Gustavo, bem como seus filhos Chloe, Benjamin, Nathaniel, Philomena e João Cristóvão são os curadores do Clubinho Literário.

É nas leituras deles, nas diversas noites ao pé da cama, que está o atestado de qualidade das obras do Clubinho Literário. Antes de chegar aos assinantes, já foi aprovado pelos seus filhos.

Conheça-os mais: @camilahabadie e @gbabadie

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Vantagens

Muitos pais preocupam-se com a formação de suas crianças, desejando que adquiram, entre outras coisas, o gosto pela leitura. No entanto, poucos pais sabem quais livros de qualidade ofertar aos seus filhos, pois não é o bastante que leiam, mas que leiam boas obras.

Assim, o Clubinho Literário apresenta uma imensa vantagem com relação aos demais clubes do livro infantis que existem em nosso país, pois oferece literatura de qualidade, testada e aprovada em incontáveis lares, às crianças. Além de dar aos pais os subsídios necessários para melhor conhecerem as obras e, consequentemente, melhor auxiliarem os pequenos nas suas experiências de leitura.

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A história de Nelly Organ

Nasceu Nelly na católica Irlanda, a 24 de agosto de 1903, de pais pobres, mas piedosos. Sua mãe, Maria Aherne, levou-a repetidas vezes aos pés do Tabernáculo para a consagrar a Nosso Senhor. Foi, sem dúvida, em uma dessas visitas que Jesus Eucarístico baixou seus olhos de bondade e amor sobre a criança e a predestinou a uma santidade precoce.

Doentinha desde o berço, perdera Nelly, aos três anos de idade, a carinhosa mãe. Seu pai, William Organ, soldado e pobre, não podendo cuidar da pequenita, entregou-a aos cuidados das Irmãs do Bom Pastor de Cork, a 11 de maio de 1907.

As religiosas ficaram admiradas da precocidade da criança: desenvolvimento da inteligência, coração afetuoso e cheio de generosidade, olhos grandes e negros, sinal de um caráter enérgico – tudo nela tinha um não sei que de misterioso e atraente.

A irmã que cuidava da menina dizia muitas vezes: “Esta criança ou será uma grande santa ou uma grande pecadora”. Bem cedo, porém, viu-se que Deus estava todo em Nelly, e que essa florzinha não devia ter outro perfume que não fosse para seu Criador.

Já à primeira vez que a levaram à capela e lhe disseram que Jesus estava
vivo no Tabernáculo, Nelly perguntou: “Porque o Santo Deus está encerrado em uma casa tão pequenina?”. Ficou satisfeita com as explicações que lhe deram. Desde então compreendeu o mistério do amor como bem poucas pessoas o compreendem e pedia que a levassem todos os dias aos pés de Jesus: “Devo ir hoje”, dizia, “à casa do Santo Deus”.

Apenas viu Nelly, em uma primeira sexta-feira do mês, a S. Hóstia exposta
na custódia, exclamou: “Lá está o Santo Deus!”. Sempre que entrava na capela fixava os olhos no Tabernáculo, juntava piedosamente as mãozinhas e murmurava fervorosas preces.

Certo dia, a enfermeira percorreu com ela as estações do caminho da cruz
explicando-lhe os sofrimentos de Jesus. À décima primeira estação, a criança, debulhando-se em lágrimas, repetia com acento doloroso: “Pobre Santo Deus! Pobre Santo Deus!”. Manifestou desse dia em diante grande devoção à Paixão de N. Senhor e à Divina Eucaristia.

Sendo obrigada a ficar de cama por ter uma recaída, atormentavam-na
intensos sofrimentos; ela, porém, os suportava com grande paciência, apertando ao peito um crucifixo, e dizendo, com os olhos em lágrimas: “Vede como o Santo Deus sofreu por mim”. Sua maior pena era já não poder ir todos os dias aos pés de Jesus Sacramentado.

Certa ocasião em que a criança sofria mais do que de costume, a enfermeira lhe disse: “Pensava que a essas horas você já estivesse com o Santo Deus”, “Oh! Não”, respondeu Nelly, “o Santo Deus disse-me que eu ainda não sou bastante boa para me ir para Ele”.

“Que sabe você do Santo Deus?”, replicou a enfermeira. “Ele próprio veio aqui”, acrescentou a criança, “e ali em pé” – mostrando o lado de seu leito – “disse- me isto”. “Como estava Ele?”, interrogou outra irmã, presente na ocasião. “Estava assim”, respondeu a criança, cruzando ao mesmo tempo os braços sobre o peito com gravidade e recolhimento como se visse em sua imaginação a divina presença. Três meses antes de sua morte, ela contou o caso à superiora, que o ignorava.

Na escola do Divino Mestre, fazia Nelly grandes progressos na virtude. Estava sempre na presença de Deus, e seu grande prazer era falar com Deus, ou no que dizia respeito a Ele. Sabia de cor as orações da manhã e da noite, os atos de fé, esperança, caridade, os principais mistérios da religião e muitas passagens da vida de N. Senhor.

Sendo informado das virtudes da criança, o bispo de Cork foi administrar-lhe o sacramento da crisma. Por demais fraca para se assentar ou ajoelhar-se, fora ela levada à capela pela enfermeira, em cujos braços recebeu o sacramento que nos faz perfeitos cristãos. “Era Nelly nessa ocasião”, escreve a superiora, “de uma beleza celeste”.

Durante o dia, recebeu a neoconfirmada as felicitações das religiosas e das alunas. A todas repetia: “Agora eu sou o pequeno soldado do Santo Deus”.

Seu amor a Jesus Sacramentado aumentava de dia a dia. Fora encarregada,
na ausência da enfermeira, uma aluna das maiores de cuidar da doentinha, a qual às vezes passava a noite junto ao leito de Nelly. Certa manhã, em vez de ir à capela para a missa e comunhão, ficou na cozinha sem que a pequena soubesse.

Qual não fora a sua surpresa quando, ao voltar junto à criança, ouviu esta lhe dizer: “Não recebeste o Santo Deus esta manhã, vou dizer a mamãe”. A aluna imaginando ter feito algum barulho que Nelly tivesse ouvido, resolveu tomar, de outra vez, maior cuidado. Com efeito, uma das manhãs seguintes fingiu ir à capela, a fim de que a criança pensasse que tinha ido à missa e comungado. Trabalho perdido! Logo que voltou, a doentinha fixou nela os olhos pensativos e disse-lhe com voz triste: “Não recebeste o Santo Deus esta manhã!” – “Como o sabes tu, querida menina?”, retorquiu a aluna. “Não me viste sair?” – “Isto não quer dizer nada, replicou, “o que sei é que não recebeste o Santo Deus”.

Por conhecimento interior, que é mais fácil admirar do que explicar, sabia
Nelly quando o SS. Sacramento estava exposto. “Hoje” – dizia – “o Santo Deus não está encerrado em sua pequenina casa; é preciso que me levem aos seus pés”. Diante de Jesus Sacramentado, seu belo rosto se transfigurava pelo amor; seus olhos, inflamados de um brilho esquisito, pareciam penetrar os véus sacramentais até o Sagrado Coração de Jesus.

“Preciso do Santo Deus” – repetia – “preciso de Santo Deus. Oh! Quanto desejo que Ele venha ao meu coração! Quando virá Ele?! Não posso mais esperar!”

Não obstante os ardentes desejos dessa criança, faminta do pão dos anjos,
hesitava-se em lhe permitir que recebesse a comunhão: tinha Nelly apenas 4 anos!

Como que para atenuar a espera que se prolongava, a criança recorreu a um meio engenhoso: “Mamãe” – disse ela à enfermeira, que comungava diariamente – “vai à missa, recebe o Santo Deus e vem imediatamente abraçar-me. Depois volta à capela”.

Nelly faz a primeira comunhão

Tendo um padre jesuíta examinado a doentinha, ficou admirado de suas
respostas. “Que é a comunhão?”, perguntou-lhe. Nelly sem hesitar respondeu: “É o Santo Deus. É Aquele que faz os santos; e todos os santos o são por Ele.

O piedoso bispo concedeu o favor tão almejado por Nelly, que arrebatada de
alegria exclamou: “Terei em breve o Santo Deus em meu coração!”

Na noite que precedeu o grande dia não fechou os olhos. Bem cedinho ainda despertou a enfermeira: “Mamãe, as estrelas já desapareceram. É tempo!”

Era numa primeira sexta-feira do mês, durante a exposição do SS. Sacramento. Toda a comunidade, irmãs e alunas, esperava em oração a pequenina serva do Santo Deus. Ei-la que entra, levada nos braços de sua mamãe, a enfermeira. Vestida de branco, coroada de rosas, envolta em um grande véu de musselina, parece um anjo em forma humana. Murmúrios de admiração acompanham-na, e lágrimas de emoção inundam os olhos de todos. O sacerdote está ao altar. Abre o Tabernáculo, tira o cibório, abre-o e entre os dedos do ministro de Deus aparece a Hóstia Santa: Ecce Agnus Dei! e a criança descerra os lábios puros e inocentes, salienta um pouco a língua e Jesus desce ao seu coração.

Nesse momento uma luz extraordinária transfigura-lhe o rosto de celestial
esplendor… fenômeno que, verificado por grande número de pessoas, se repetiu várias vezes durante as trinta e duas comunhões que Nelly fez antes de se evolar para os esplendores eternos.

Conduzida depois ao seu pequeno leito, prolongou por muito tempo a ação de graças. O dia todo foi de festa, sendo ela o objeto de todas as atenções.
Depois da primeira comunhão, Nelly comungava quase diariamente. Quando as forças lhe permitiam, era conduzida à capela para assistir à santa missa, e receber N. Senhor. Quando, porém, se sentia muito fraca, dizia com tristeza: “Hoje não posso ir ao Santo Deus”. O capelão lhe trazia então a S. Eucaristia. Após a comunhão abraçava as pessoas que lhe rodeavam o pequeno leito. A ação de graças durava ordinariamente de duas a três horas. Ninguém, entretanto, a ousava interromper, tão absorta ficava Nelly em Deus. Frequentemente derramava copiosas lágrimas, e dizia, às vezes, com sorriso angélico: “Sou muito feliz, porque o Santo
Deus veio ao meu coração!”

Pode-se dizer que era a comunhão o seu constante pensamento. Certa noite,
pouco antes da morte, não cessava Nelly de chamar a enfermeira: “Quero o Santo Deus! Preciso do Santo Deus! Tarda ainda o dia?”

Dessa vez a ação de graças, que começara às sete horas da manhã, terminou somente pelas cinco da tarde, quando, tendo-se inclinado a superiora sobre o leito da pequena, Nelly abriu os olhos e lhe disse: “Oh! minha mãe, estava
tão feliz! Falava com o Santo Deus!”

Morte de Nelly

Exaustas as forças, torturada pela cárie que lhe corroía o queixo, ardendo em febre, estava Nelly a terminar o seu martírio.

Certa manhã, a superiora encontrou-a sofrendo de tal maneira que não pode reter as lágrimas.

“Porque choras, mãe?” – pergunta a pequena – “Deves, pelo contrário, ficar satisfeita porque eu vou para o Santo Deus”.

Animando-a a ter coragem até o fim, a boa religiosa lhe disse que quanto
mais paciente fosse nos sofrimentos, tanto mais alto estaria depois no céu. Ao que ela respondeu: “Irei direitinho ao Santo Deus”.

No dia anterior ao de sua morte, a superiora lhe disse: “Quando estiveres com o Santo Deus, pede-lhe que Ele me leve também”. A pequena moribunda, fixando nela os olhos por alguns instantes, respondeu-lhe: “O Santo Deus não a pode levar enquanto a senhora não se tornar melhor e enquanto não tiver cumprido tudo o que Ele espera da senhora”.

Ainda naquele dia a criança entoou alguns piedosos cânticos. À tarde,
chamou a enfermeira e disse-lhe: “Mamãe, não sentes que o Santo Deus se
aproxima? Eu o sinto”.

No dia seguinte, uma sexta-feira, pelas três horas da tarde, a querida
agonizante ficou extremamente calma e quieta durante uma hora. Seus belos olhos, inundados de lágrimas, tinham-se fixado em alguma coisa que ela contemplava ao pé de seu pequeno leito. Por duas vezes Nelly estendeu os bracinhos como para atrair a misteriosa visão. O movimento dos lábios indicava que ela falava com alguém. Elevando depois os olhos, seguia com a vista o ente bendito que parecia estar sobre sua cabeça – momento em que sua alma, despindo as vestes corpóreas, se evolou para o Santo Deus.

Morreu, pois, Nelly, a dois de fevereiro de 1908, com a idade de quatro anos e cinco meses. Um ano mais tarde, foi seu pequeno corpo encontrado intacto, com exceção de uma cavidade na face direita, correspondente ao osso corroído pela cárie durante os últimos meses de sua doença. Os dedos estavam flexíveis e os cabelos um pouco alongados.

Após sua morte, tem Nelly obtido de Deus graças extraordinárias, e a fama
de santidade cresce de dia a dia. Já se fala em se introduzir a causa de sua
Beatificação.

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Falta óleo de peroba

Imagine a cena:
Sobre a mesa de trabalho de Fernanda, ameaça alçar voo um bilhete despretensioso. Uma lufada mais forte e o papelzinho voa, indo parar certeiro na mesa de Paulo. Em letras maiúsculas, o colega lê:”Falta óleo de peroba”.E assim, um simples lembrete da diarista de Fernanda, por conta de uma brisa matreira, vira motivo de discussão entre os dois colegas. Tudo porque Paulo, sabendo-se um tanto desligado, ignorava o fato de que aquele mísero papel não era uma indireta, mas um pedido de compra.

Engraçado, não? Contudo, essa situação hipotética ilustra bem algo que, infelizmente, parece tornar-se mais frequente que os casos de contaminação pelo Corona Vírus, isto é, a ignorância a respeito de algo elementar na comunicação humana: o contexto — ou, em se tratando de literatura, os gêneros literários.

Assim como aquilo que dizemos situa-se num todo que lhe dá pleno sentido, assim também os livros têm cada um o seu “lugar” no universo literário. Em outras palavras, assim como uma declaração de amor, feita ao ouvido da pessoa amada, não convém à indicação de um lugar de destino solicitado a um taxista, assim também não convém procurar descrições do funcionamento dos órgãos internos de um sapo num livro de receitas. A cada coisa, o seu lugar.

O contexto, bem como o gênero literário, funcionam como uma espécie de moldura, que delimita e confere características específicas àquilo que é comunicado. Trata-se, portanto, de um aspecto essencial que não pode ser menosprezado, sob pena de prejudicar gravemente o conteúdo daquilo que é transmitido. Ler poesia como prosa, tomar um conto por uma epopéia, procurar veracidade em ficção é prova de tal ignorância.

Mas por que, afinal, estamos falando disso? Porque aqui no Clubinho Literário nós procuramos sempre diversificar os gêneros oferecidos aos nossos pequenos leitores. Já tivemos poesia, teatro, romance, e até mesmo hagiografia e biografia! Uma “dieta” literária variadíssima! Mas convém observar: dentre todos os gêneros listados, estes dois últimos se distinguem dos demais por uma característica fundamental: trata-se de não-ficção, ou seja, são os únicos nos quais espera-se veracidade, realidade; nos demais, não.

Citando nominalmente, referimo-nos aos títulos “Legenda áurea para meus afilhados”, de Henry Daniel-Rops, “Lírios eucarísticos”, de Dom Joaquim G. de Luna e “O anjo da escola”, de Raïssa Maritain. Todos os demais já publicados aqui no Clubinho são ficções, e não servem, obviamente, a nenhum propósito que os tome de maneira distinta. E caso ainda haja quem cometa uma tal confusão após a leitura deste texto, bem, voltamos ao parágrafo inicial: falta óleo de peroba.

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Como ajudar meu filho adolescente a se tornar um leitor assíduo?

A familiaridade com os livros não é algo instintivo. É preciso que ajudemos nossos filhos nessa conquista — e quanto mais cedo, melhor. Porém, não é porque não atentamos para isso em seus primeiros anos de vida que, agora, a situação seja irreversível. É possível, sim, que um adolescente se torne um leitor assíduo, ainda que isso exija um pouco mais de esforço da nossa parte e da parte dele.

1. Um passo de cada vez
Considerando que seu filho não tem o costume de ler — e tenha, talvez, até uma certa resistência –, você, pai ou mãe, não deve começar sugerindo leituras que nada têm a ver com o universo dele, por melhores que sejam. Parta, ao contrário, de algo do interesse imediato do adolescente, pouco importando o gênero literário. Por exemplo: se a menina gosta de moda, dê-lhe uma biografia de alguma personalidade famosa, ou algum manual de estilo; se o menino gosta de séries e filmes policiais, dê-lhe leituras que explorem temas semelhantes, como Agatha Christie ou Arthur Conan Doyle — pode ser que você precise recorrer às HQs, e não há problema. Filmes e documentários explorando as histórias dos autores e personagens podem também ser usados para ajudar a aumentar o interesse nos livros.
Pode parecer pouco, mas nesse ponto da jornada a questão ainda não é a qualidade das obras, mas sim a conquista de uma boa disposição para leitura. Então, lembre-se: um passo de cada vez, sem atropelos e sem pressão.

2. Expandindo o repertório
Depois que o adolescente já leu algumas obras que seguem aquele mesmo estilo, isto é, depois que foi vencida a indiferença ou resistência aos livros, podemos começar a expandir um pouco mais o seu repertório diversificando os gêneros das obras ou oferecendo outros — e talvez melhores — conteúdos. Nessa etapa é preciso bastante sensibilidade da sua parte, pai ou mãe, para que a transição seja feita com sucesso, de maneira gradativa e sem grandes saltos. Por exemplo: depois de ler alguns manuais de moda ou algumas biografias, talvez seja uma boa hora para oferecer à menina algum romance de Jane Austen ou alguma biografia de um outro tipo, como O diário de Anne Frank; depois de ter lido alguns romances policiais mais populares, talvez seja um bom momento para oferecer a série de aventuras do Padre Brown, de G. K. Chesterton, ou a trilogia de O senhor dos anéis, de J. R. R. Tolkien.
Nessa etapa, o foco não é tornar seu adolescente um leitor muito profundo ou muito versado, mas mostrar-lhe, indiretamente, com toda a discrição que essa época da vida dele exige de nós, que existem coisas mais interessantes e melhores do que aquelas lidas até então. Em outras palavras, trata-se de uma etapa de aquisição de confiança e liberdade, de alargamento do próprio “território” literário. Esse é um passo importante, pois sem ele o avanço para os grandes livros dificilmente acontecerá.

3. Chegando ao topo
É provável que o adolescente que passou pelas fases anteriores já tenha adquirido uma boa familiaridade com os livros. Portanto, de certa forma, o objetivo já foi alcançado. Mas se você quer que ele vá ainda mais longe, então é chegado o momento de oferecer-lhe os grande livros, isto é, os melhores autores. Aqui, o princípio de partir daquilo que é mais conhecido/familiar em direção ao que é menos conhecido/familiar permanece valendo. Na prática, isso significa que talvez você ainda não possa oferecer Homero para o seu filho sem correr o sério risco de ver a obra abandonada num canto qualquer, mas talvez você possa oferecer-lhe Shakespeare; talvez ele ainda não consiga ler Camões, mas provavelmente conseguirá ler algum conto do Machado de Assis.
Enfim, a chegada ao topo leva-nos a perceber que esse cume é, na verdade, uma grande planície na qual se encontram nomes das mais diferentes épocas e lugares; nomes que merecem nossa atenção porque falam a toda humanidade; nomes que, no prazo de uma vida, apenas começamos a conhecer, mas jamais chegaremos a esgotar completamente. E tal descoberta vale todo o esforço da subida.